Obs: A palavra Espiritualidade não deve ser confundida com Espiritismo, usamos essa palavra no sentido de que a espiritualidade "traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração".

Fonte: Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Espiritualidade

sábado, 27 de julho de 2013

Com câncer terminal, co-criador dos 'Simpsons' se dedica à caridade


No dia 16 de maio, Sam Simon, co-criador da animação Os Simpsons, afirmou em entrevista que havia sido diagnosticado com câncer de cólon e disse que o médico lhe deu de três a seis meses de vida. Agora, mais um mês após a revelação, o produtor topou conceder uma nova entrevista, desta vez ao The Hollywood Reporter, sobre a doença, e agradeceu aos fãs pelas cartas e emails de apoio e desejando por melhoras.

"Basicamente tenho feito quimioterapia semana sim, semana não. Sinto todos os efeitos colaterais possíveis - fadiga, náusea - e a quimio impregna no meu corpo", disse Simon, que desde o início da animação de Matt Groening é conhecido por suas vultosas doações a instituições de caridade. De fato, em 1993 ele largou a atração para se dedicar a ajudar as pessoas e fundou a Sam Simon Foundation - que em 2011 valia perto de US$ 23 milhões - com o objetivo de resgatar pessoas famintas, alimentadas somente com comida vegetariana, e animais, entre cães, gatos, etc.

"Realmente não sei", ele responde sobre o montante que já doou para causas do tipo. O dinheiro vem basicamente dos milhões de dólares mensais que recebe pelo título de produtor executivo de Os Simpsons. Uma vez por semana, também ajuda nos roteiros da série Anger Management, estrelada por Charlie Sheen, exibida no canal pago FX.

"Nunca coloquei as mãos nessas coisas. Mas sempre tive sorte de achar ótimas pessoas para tocar esses negócios. Francamente, um dos prazeres da fundação é largá-la para as pessoas porque são algumas das pessoas mais bacanas da minha vida", ele afirmou.

Fonte: http://diversao.terra.com.br/gente/com-cancer-terminal-co-criador-dos-simpsons-se-dedica-a-caridade,4e4c0ac474c10410VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

domingo, 26 de maio de 2013

EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA MEDITATIVA


Entenda como aproveitar a Meditação para se conhecer melhor
Hoje em dia há um esforço constante para alcançar coisas que nos parecem distantes ou que aparentam não fazer parte de nossa realidade. Qualquer movimento de busca que fazemos para algo que não está dentro de nós poderá ser infrutífero. A água segue sua própria natureza, sem conflito com a realidade da superfície que ela percorre. As pedras suportam frio, chuva e sol quente por séculos - e nada perturba sua natureza. Os animais vivem suas vidas satisfazendo seus instintos, sem lamentações descabidas. Por que os seres humanos carregam tanto conflito em sua curta existência? Não faz sentido.
Na verdade, carregamos conflitos por não entendermos nossa própria realidade, por vivermos uma realidade artificial e efêmera. O conflito não existe, mas permitimos que ele se aloje em nossa consciência e assim passe a existir e a sobrepujar tudo que brilha como realidade.
A busca por paz, por exemplo, nos afasta da verdadeira paz que reside dentro de nós. E o mesmo ocorre com a Meditação. O dimensionamento que é dado à consciência pode abarcar ou anular sua própria natureza. Por agirmos sem consciência da ação e dos fatores que desencadearão resultados, perdemos a dinâmica de nossa natureza; perdemos o sublime que há na vida e passamos a refletir apenas o que a mente projeta. Passamos a acreditar nas nuvens, tempestades e sombras que afogam o essencial da vida.
Meditar não é impedir ou disfarçar a existência de tais barreiras, mas tornar-se consciente delas e compreendê-las como parte do que somos. Estar consciente é o passo mais importante que deve ser dado ao iniciarmos esse caminho. Meditação não é um jogo mental simbólico onde criamos paisagens ou sentimentos, mas sim a consciência plena da realidade de nossa existência.

APROXIME-SE DA MEDITAÇÃO

A existência não se limita aos apelos do corpo e dos sentidos, não se limita ao transitório estado mental que molda os sentimentos e as emoções. A existência envolve os detalhes do que somos e do que estamos sendo - um longo percurso que nos mostra a evolução gradual pela qual estamos passando. A cada dia nos aproximamos mais do que sempre esteve perto, dentro de nosso ser, mas que não dávamos conta de sua presença. Meditação é voltar a consciência para este fato, para esta realidade que se descortina e se revela. E isso é possível quando estamos conscientes do que compõe nossa existência completa.
 A mente sente, pensa e deseja indiscriminadamente. A consciência observa e se transforma no processo de autoconhecimento: Meditação. Ficar parado por alguns minutos apenas observando a respiração e os batimentos cardíacos pode não dizer muita coisa para a mente, mas pode revelar dimensões desconhecidas da consciência.
A mente irá vagar em busca de sentido para o que ela capta, mas a consciência será apenas presença observadora de algo que sempre esteve ali, diante de sua simplicidade existencial, e que não foi possível ser notada pela complexa atividade instável da mente. A existência se revela no silêncio observador da consciência.
A mente se identifica e se envolve com o que surge em seu horizonte sensitivo - e cai presa da realidade que ela mesma moldou. A consciência se mantém indiferente ao que não é dela, em um estado de neutralidade observadora. A mente quer interagir; a consciência está apenas para ser e existir. Nada pode afetar a consciência, mas a mente se afeta por tudo que está ao seu redor e que fere sua fragilidade instável.
As invenções mentais não são permanentes. A Meditação ocorre além destas designações que estacionam a mente. A Meditação se efetua no campo da consciência. A mente pensa, mas a Meditação está além do pensamento, está no alcance infinito da consciência - a Meditação não é um fenômeno mental: é um processo da consciência.
A mente é um aglomerado de conceitos que molda a maneira de ver e interagir com o mundo, dentro de uma realidade que ela conceituou como verdade. A consciência é a essência que existe antes e depois dos conceitos - tanto reais quanto falsos. A mente é imagética e cáustica; a consciência é silêncio, amplitude. A imagem verbal limita a capacidade de perceber e existir, ao passo que a existência inclui os conceitos, mas está além deles. A existência é a consciência observadora que se apresenta consciente em todos os campos da realidade sensível.
A MENTE APRENDE COM A CONSCIÊNCIA
A mente não tem inteligência, ela apenas atua mecanicamente, moldada pelos padrões condicionados que imprimimos nela e, assim, repete os mesmos modelos, por muito tempo. A mudança somente ocorre quando se toma consciência de que não estamos agindo como deveríamos, como é o correto. Mas, quem define o certo e o errado? Há algum modelo que podemos usar sabendo que é diferente de um modelo que não devemos ter? De certa forma, a Meditação nos dá o modelo correto, à medida que o silêncio interior se intensifica a ponto de termos consciência clara e transparente do que nos faz bem e do que nos traz o mal. É a experiência da vida que poderá mostrar isto. É a Meditação que dará consciência do valioso que há na vida - aquilo que devemos cultivar e intensificar pelo simples fato de sabermos por realização que é bom para nós mesmos e para os outros.
Por isto, a Meditação não é uma restrição, um corte, uma renúncia pura e simples. Meditação é soma, acréscimo e descobrimento interior. Meditação é tomar consciência do que somos realmente. É tomar consciência do que não somos também."Meditação é soma, acréscimo e descobrimento interior. Meditação é tomar consciência do que somos realmente. É tomar consciência do que não somos também."
Um despojamento do que é irrisório, do que é efêmero e supérfluo, do que há de real e verdadeiro em nossas vidas. Meditação é se autodescobrir a cada instante, a cada dia, a cada mudança. Meditação é estar presente e entregue a todos os movimentos que ocorrem internamente e a todos os impulsos que damos para fora de nós, para o mundo e para a realidade que acreditamos - por isto nos lançamos. Meditar é acreditar na possibilidade de transformação a partir do singular que habita cada subjetividade, de cada ser.

SEJA CADA VEZ MAIS O QUE VOCÊ É

A Meditação não está separada do que somos - ela é o que somos. É ser consciente do que se é. Meditação é um movimento reflexivo do que somos, do que estamos deixando de ser e do que viremos a ser, consciente. Muitas vezes a Meditação não é uma técnica, mas a essência da técnica que desabilita qualquer necessidade de técnica: não temos que aprender a viver - todo ser vivo simplesmente vive. Alguns com mais habilidade, outros com menos intuição. Mas todos sabem viver dentro da realidade que lhes cabe. Não há técnica para se viver, não há mistério ou segredos para ser o que se é - simplesmente deve-se ser e viver. Assim é a Meditação: não é rotina, mas constante estado de presença, sem repetição. Uma pessoa que olha todos os dias o despontar do sol na alvorada e não nota a diferença que existe em cada amanhecer, na verdade nunca viu verdadeiramente o nascer do sol. Alguém que não note a variedade complexa que envolve cada movimento da respiração, não está pronto para viver - está atado aos padrões da mente repetitiva. A Meditação é uma quebra destes paradigmas.
 Por isto, a Meditação é um processo que nos revela a liberdade inerente. Enquanto a mente repete os padrões para nos prender, a consciência nos dá as lacunas onde a mente falha, pois não pode preencher todos os espaços - tudo é preenchido pela consciência. A mente não prenche, apenas repete; e repete até mesmo a sensação de uma suposta liberdade, mas é a repetição de um estado vivido de liberdade, não é a verdadeira liberdade, é a sombra de uma experiência de liberdade vivida no passado ou prometida para um futuro. Consciência meditativa é liberdade agora, presente e eterna. Se não for isto, não é Meditação. Pode ser qualquer outra coisa, algum outro nível de experiência psicológica, mas não Meditação.
Meditação é a entrega plena ao momento que se vive, que existe em sua plenitude.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Espiritualidade por Sérgio Cortella


Mario Sergio Cortella  é um filósofo brasileiromestre e doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde também é professor-titular do Departamento deTeologia e Ciência da Religião e da pós-graduação em Educação, além de professor-convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec da FGV-SP.
Foi secretário municipal de Educação de São Paulo (1991-1992), durante a administração de Luiza Erundina.
Fez o programa "Diálogos Impertinentes" na TV PUC, no Canal Universitário.
Cortella é autor de:
A Escola e o Conhecimento
Nos Labirintos da Moral, com Yves de La Taille
Não Espere Pelo Epitáfio: Provocações Filosóficas
Não Nascemos Prontos!
O que a Vida me Ensinou - Viver em Paz para morrer em Paz.

Nesse vídeo ele fala sobre espiritualidade e essa é a nossa dica pra você!


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vegetarianos têm 32% menos risco de sofrer do coração


Coração verde
Deixar de lado a carne, incluindo peixe, em favor de uma dieta vegetariana pode ter um efeito dramático sobre a saúde do seu coração.
Um estudo com 44.500 pessoas na Inglaterra e na Escócia mostrou que os vegetarianos têm uma propensão 32% menor de morrer ou precisar de tratamento hospitalar em decorrência de doenças cardíacas.
Os cientistas acreditam que as diferenças nos níveis de colesterol, na pressão arterial e no peso corporal estão por trás da melhor saúde dos vegetarianos.
A chegada de sangue ao coração fica bloqueada por depósitos de gordura nas artérias que alimentam o músculo cardíaco. Isso pode causar angina ou até mesmo levar a um ataque cardíaco se os vasos sanguíneos ficarem completamente bloqueados.
Os resultados foram publicados no American Journal of Clinical Nutrition.
Melhor saúde dos vegetarianos
Os cientistas da Universidade de Oxford analisaram dados de 15.100 vegetarianos e 29.400 pessoas que comem carne e peixe.
Ao longo de 11 anos, 169 delas morreram de doenças cardíacas e 1.066 necessitaram de tratamento hospitalar - a maior parte delas comedores de carne e peixe.
"A mensagem principal [do estudo] é que a dieta é um importante determinante da saúde do coração,", disse a Dr. Francesca Crowe, coordenadora do estudo.
Segundo ela, "as dietas são bastante diferentes. Os vegetarianos provavelmente têm uma menor ingestão de gordura saturada, por isso faz sentido que eles tenham um menor risco de doença cardíaca".
Os resultados mostraram que os vegetarianos têm pressão arterial mais baixa, menor nível de colesterol "ruim" e são mais propensos a ter um peso saudável.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Livro sagrado dos maias narra criação do mundo

O Popol Vuh é livro sagrado dos maias, referência histórica da espiritualidade, filosofía e identidade dos povos descendentes dessa civilização

Cidade da Guatemla - Antes de a Terra existir, tudo era silêncio e escuridão, só existiam o céu e o mar em calmaria, até que os progenitores Tepeu e Gucumatz chegaram a um acordo e criaram as árvores, os animais e o homem.
Assim foi concebido o mundo segundo o Popol Vuh, livro sagrado dos maias, referência histórica da espiritualidade, filosofía e identidade dos povos descendentes dessa civilização na América Central e sul do México, e cujo calendário está despertando temores apocalípticos em muita gente.
Segundo o Popol Vuh, os criadores queriam ter alguém que os louvasse. Então fizeram um homem de barro. Mas ele não podia andar, nem se multiplicar e se desfez, narra o livro que se acredita que foi escrito em meados do século XVI no idioma maia k'iche'.
Então os criadores o fizeram com madeira. Mas os homens, ainda que se multiplicassem, não tinham entendimento e se esqueceram de seus progenitores, e por isso foram destruídos.
"Chegou o tempo de amanhecer, de terminar a obra", disseram Tepeu e Gucumatz. Então Yac (gato-montês), Utiú (coiote), Quel (maritaca) e Hoh (corvo) levaram o milho branco e amarelo e de suas espigas foram criados os homens, relata o texto.
O Popol Vuh, que significa Livro do Conselho ou Livro da Comunidade, fala da visão do mundo e espiritualidade dos maias que habitaram o sul do México, Guatemala, Honduras, El Salvador e Belize, cujos descendentes comemoram na próxima semana o fim de uma era de 5.200 anos, segundo seu calendário.
Algumas interpretações fizeram crer que esse dia será o fim do mundo, algo que os mesmos líderes indígenas e especialistas desmentem. Apesar disso, atrai a atenção para tudo relacionado à cultura maia.
Apesar de, desde 1972, o Popol Vuh ostentar o título de Livro Nacional da Guatemala, apenas em agosto passado ele foi declarado pelo governo como Patrimônio Cultural Intangível da Nação.
Sua origem é um enigma e segundo historiadores a primeira versão do texto, elaborada na língua k'iche' por indígenas cristianizados, permaneceu oculta até 1701, quando o sacerdote espanhol Francisco Ximénez fez uma tradução para o castelhano.
O manuscrito de Ximénez contém o texto mais antigo conhecido do Popol Vuh, mas se desconhece o nome do autor essa primeira versão.
O Popol Vuh também conta as aventuras dos deuses gêmeos Hunahpú e Ixbalanqué, que venceram em um jogo de bola os senhores de Xibalbá, e por isso foram convertidos no Sol e na Lua.
O livro maia atualmente é encontrado na biblioteca Newberry, em Chicago, Estados Unidos, mas deputados guatemaltecos anunciaram em 13 de dezembro que vão tentar recuperá-lo para expô-lo em um museu no município indígena de Chichicastenango, no oeste do país.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Médico e teólogo, autor relaciona espiritualidade e saúde física



Harold G. Koenig, médico e teólogo, entra no debate sobre os limites e confluências de ciência e espiritualidade. Em "Medicina, Religião e Saúde", usa pesquisas recentes para apresentar a importância das emoções sobre o sistema imunológico, a longevidade e outras influências na saúde física e mental. 

Sobre a diferença de termos --espiritualidade e religião--, escreve o autor que "essa nova versão de espiritualidade evoluiu para incluir aspectos da vida que não têm nada a ver com religião, além de, muitas vezes, excluir a religião por completo, como na afirmativa 'sou espiritual, não religioso'. Isso pode tornar a espiritualidade indistinguível de conceitos seculares." 

Koenig expõe fundamentos e respostas para as polêmicas criadas pelo embate entre fé e razão. 

"A espiritualidade pode ser usada proveitosamente de duas maneiras distintas: mais restrita na pesquisa e mais ampla no atendimento ao paciente", afirma no livro. 

A edição é voltada para o público leigo, mas inclui estudos recentes e alguns relatos de casos e trata de mostrar quais são as tendências dessa área. 

Diretor do Centro para Teologia, Espiritualidade e Saúde, professor de psiquiatria e ciências do comportamento da Universidade de Duke, nos EUA, e graduado em medicina na Universidade da Califórnia, Koenig assina mais de 40 títulos sobre o tema. 

Abaixo, leia a introdução de "Medicina, Religião e Saúde: O Encontro da Ciência e da Espiritualidade"



Introdução        
   
A SENHORA HARRIS MORREU ontem aos 101 anos de idade. Ela estava vivendo em uma casa de repouso, mas a família disse que ela permaneceu alerta até o fim. Em seus últimos dias, como fizera durante toda a vida, tentou consolar e incentivar parentes e amigos - mesmo estando doente. Ela destacava as boas qualidades deles. Expressava que alegria era ver alguém e que futuro especial aguardava cada um deles. A família disse que ela estava cantando um cântico religioso quando sua voz ficou mais fraca, a respiração mais lenta até, finalmente, parar. A senhora Harris deixou um leve sorriso no rosto, um sorriso ao qual a família tinha se acostumado sempre que ela estava muito feliz. 

Quando a senhora Harris fez cem anos, perguntaram a ela qual era o segredo de uma vida tão longa. Sem pestanejar, respondeu que era sua fé, sua família e o fato de não beber nem fumar, nessa ordem. E a ordem era importante, ela enfatizava. 

Muitos médicos, assim como eu, já conheceram uma "senhora Harris" e, embora possamos imaginar encontrá-la em qualquer estado ou cidade, em um hospital ou casa de repouso, ela representa um benchmark de saúde da vida real, tanto física quanto mental. Seu tipo de história, ao qual as pessoas ligam crenças e comportamentos à saúde, é o tópico central deste livro. A senhora Harris é baseada em minhas duas décadas e meia de experiência com pacientes e com participantes de pesquisas, e usarei a "história" dela ao longo do livro para demonstrar os tipos de encontros que tive. As respostas da senhora Harris ilustram as próprias experiências da vida real que muitíssimas pessoas relatam - experiências que são, muitas vezes, ignoradas pelos profissionais da saúde. 

As páginas seguintes abordam um terreno amplo, e nem todo ele é plano e nivelado. Nossas informações sobre os efeitos da religião e da espiritualidade sobre a saúde física e mental ainda são incompletas. A discussão desse tópico também é nova na medicina moderna. Por consequência, há muitas opiniões sobre o que realmente sabemos nesse campo, o que deve ser feito sobre isso e como fazê-lo. Indicarei onde há controvérsia sobre determinada descoberta ou aplicação, mas também argumentarei a favor de uma conexão entre religião e saúde quando a predominância das evidências, junto com o bom-senso e o raciocínio lógico, sustentar tal ligação. Este livro, portanto, não será escasso em polêmicas, e espero que o leitor fique intrigado. 

Organizei o material em quatro etapas, sendo que uma se desenvolve sobre a outra. Comecei definindo os termos religião e espiritualidade, demonstrando como a pesquisa sobre o relacionamento com saúde e medicina cresceu drasticamente e se tornará essencial a uma possível crise futura da saúde pública. A seguir, apresento o argumento de que religião e espiritualidade podem, de fato, afetar a saúde de uma forma detectável pela ciência. Em outras palavras, é possível demonstrar que os aspectos psicológicos, sociais e religiosos da vida humana podem afetar o corpo físico. 

Após ter apresentado o argumento de que tais caminhos são plausíveis, investigarei mais a fundo seis áreas específicas da saúde humana que possivelmente são afetadas pelo envolvimento religioso. Essas são as áreas em que alguém como a senhora Harris era bastante afortunado, graças a uma boa perspectiva da vida, hábitos saudáveis e um corpo forte. As seis áreas são: saúde mental, funções imunológicas e endócrinas, função cardiovascular, estresse e doenças relacionadas a comportamento, mortalidade e deficiência física. Depois de esclarecer como a religião pode afetar a saúde e explorar as evidências científicas que dão suporte a tais alegações, examinarei a aplicação desse conhecimento ao tratamento de pacientes em contextos clínicos. Este livro é finalizado com um apêndice que lista recursos para o estudo posterior de religião, espiritualidade e saúde. 

Cada um dos capítulos que se seguem analisará pesquisas passadas e atuais, mas também conterá uma questão central que desejo argumentar ou, ao menos, deixar aberta para discussão. No Capítulo 1, por exemplo, mostrarei que há opiniões extremamente divergentes sobre a definição dos termos religião e espiritualidade. O termo espiritualidade é amplo e permite que as pessoas deem suas próprias definições. Essa abrangência é útil em ambientes clínicos em que os médicos querem ser sensíveis à ampla variedade de crenças das pessoas. Porém, no âmbito da pesquisa, esses termos devem ser definidos com maior precisão para o estudo objetivo de seu impacto na saúde, e tal exatidão é o que sempre defenderei. Do contrário, normalmente usarei religião e espiritualidade de forma intercambiável, referindo-me ao mesmo aspecto da experiência humana. 

No Capítulo 2, apresento a hipótese de que essa área de pesquisa em rápido crescimento será mais importante no futuro, à medida que mais limitações são impostas sobre a assistência médica, sobretudo fatores demográficos e financeiros. As populações em envelhecimento nos países desenvolvidos e os custos galopantes de cuidados à saúde em todo o mundo são as duas forças que motivam esse aumento de tensão. Também prevejo uma maior função de comunidades de fé em oferecer serviços de saúde, não só em hospitais, mas também em termos de educação de saúde, suporte social e atendimento de longo prazo. 

Os Capítulos 3 e 4 tentam demonstrar que fatores psicológicos e sociais influenciam a saúde do corpo físico. Não muito tempo atrás, essa era uma ideia controversa. Em um editorial de 1985, por exemplo, Marcia Angell, ex-editora do New England Journal of Medicine, afirmou que "nossa crença na doença como um reflexo direto do estado mental é, em grande parte, folclore"1. Desde que esse editorial foi publicado, muitos estudos em alguns dos melhores periódicos de ciência do mundo provaram que ela estava errada. Hoje, existe um campo que vem crescendo bastante, chamado psiconeuroimunologia - intimamente relacionado à "medicina psicossomática" - que analisa como as experiências mentais e sociais podem afetar aspectos da saúde física. 

Minha tese básica nos Capítulos 5 a 10 é a de que a religião tem o potencial de influenciar a saúde mental e física. No Capítulo 5, abordo religião e saúde mental cobrindo áreas da experiência humana como depressão, ansiedade e emoções positivas. O Capítulo 6 examina associações entre religião, o sistema imunológico e as funções endócrinas, com enfoque nas relações em diferentes faixas etárias e em diferentes doenças, como fibromialgia, câncer de mama metastático e HIV/AIDS. No Capítulo 7, exploro os efeitos da religião sobre o coração e o sistema circulatório (reatividade cardiovascular, pressão arterial, ritmos autonômico e cardiovascular) e sobre comportamentos, como dieta, exercícios e tabagismo, que afetam as funções fisiológicas. 

O Capítulo 8 examina as consequências clínicas do envolvimento religioso sobre os índices de doença arterial coronariana e desfechos pós-cirurgia cardíaca, bem como sobre enfermidades comuns, como câncer, declínio da memória relacionado à idade, doença de Alzheimer e diabetes. 

No Capítulo 9, reviso diversos estudos de populações grandes nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia que examinam a relação entre envolvimento religioso e longevidade. Essa é uma área bastante contestada, e analisarei as complexidades de interpretar tais estudos, mas argumentarei que, embora tenham intensidade apenas moderada, as evidências a favor de religião e vida mais longa têm um enorme impacto na saúde pública. O Capítulo 10 aborda o que acredito ser a questão mais importante: não quanto tempo vivemos, mas a qualidade de nossa vida e a capacidade de realizar atividades físicas que fazem a vida valer a pena. Doenças de longa duração que persistem mais tarde na vida cobram um preço emocional e têm um impacto na capacidade de trabalhar, na vida social e nas atividades recreativas. Também discutirei a relação entre religião e deficiência em jovens com problemas de saúde adquiridos devido a doença prematura, acidentes ou guerra. 

O livro termina com aplicações dessas novas pesquisas. No Capítulo 11, argumento que as descobertas de pesquisa têm implicações para os profissionais da saúde, sobretudo no reconhecimento das muitas formas em que crenças religiosas podem influenciar a assistência médica, a adesão do paciente e as decisões médicas2. São motivos importantes para que os profissionais da saúde prestem atenção às necessidades espirituais de pacientes e estejam cientes dos limites e das limitações nessa área. Descrevo como e quando a espiritualidade pode ser integrada no atendimento ao paciente e quais são as prováveis consequências. Finalmente, o apêndice oferece resumos (a) dos principais estudos de pesquisa originais sobre religião e saúde; (b) de artigos de revisão sobre a pesquisa de religião e saúde; (c) de livros sobre religião, espiritualidade e saúde para pesquisadores, clínicos e público em geral; (d) de sites e centros acadêmicos de atividade em religião, espiritualidade e saúde nos quais podem ser encontrados recursos adicionais. 

O objetivo principal de Medicina, religião e saúde é integrar parte das pesquisas recentes sobre religião, espiritualidade e saúde, fazendo isso de maneira relativamente concisa e em formato legível. Em razão desse enfoque, não se tentou apresentar uma discussão mais completa das questões teológicas. Lembre-se, no entanto, de que essa pesquisa levantou uma série de questões teológicas sérias que também precisam ser abordadas. Uma revisão científica abrangente e uma discussão teológica da conexão entre religião e saúde serão apresentadas em um volume muito maior, que está atualmente sendo preparado3. Contudo, por enquanto, vamos explorar as mais recentes evidências científicas ligando religião, espiritualidade e saúde e investigar o que isso significa para médicos, pacientes e aqueles que estão saudáveis e desejam permanecer assim. 

Quando disse que os motivos de sua longa vida eram fé, família e ausência de álcool e de cigarros - nessa ordem -, a senhora Harris estava tentando comunicar algo sobre o essencial à saúde e ao bem-estar que aprendera durante sua longa e satisfatória vida. Ela falará conosco mais algumas vezes nas páginas seguintes, conforme nos aprofundamos nesse tópico.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As questões inúteis


Um homem se aproximou de Buda:

- Gostaria muito de seguir seus passos- disse.

- Mas antes tenho uma série de questões filosóficas.

Buda virou-se para ele:

- O que você faria se fosse atingido por uma flecha?

- Iria ao médico.

- E você diria ao médico: eu não permitirei que o senhor remova esta flecha até que eu saiba a casta, a idade, a ocupação, e o motivo pelo qual alguém me feriu.

- Se eu perguntar tudo isso, morro antes.

- Da mesma maneira, se você quer ter todas as respostas antes de dar um passo, irá morrer sem sair do lugar- foi o comentário de Buda.